Estamos vivendo um tempo de apostasia em meio a Igreja Cristã. Tal apostasia não é nova, pois ao longo de seus dois milênios a Igreja de Cristo já vivenciou momentos de profundas crises em seu seio, todavia, sempre permaneceu, pois em seu favor, Jesus Cristo, Senhor, Cabeça e Mestre, prometeu solenemente: "as portas do inferno não prevalecerão contra ela." Mateus 16:18. Em meio a tal apostasia devemos orar como Habacuque: "aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos faze-a conhecida; na tua ira lembra-te da misericórdia." - Habacuque 3:2.
Além de oração e reflexão devemos ter consciência de que a Igreja de Cristo permanece por ser ela norteada pelo Espírito Santo, apesar dos erros dos homens que dirigem a instituição, a graça de Cristo a assiste e preserva. Deus governa e a Igreja não naufragará, ela já enfrentou muitas tempestades e fortes ventos, já singrou por mares bravios, contudo, Aquele que repreende o vento e diz ao mar: Acalma-te, emudece, está no controle dela. O propósito desse blog é compartilhar reflexões sobre a espiritualidade clássica. Minha proposta é uma volta as fontes da fé cristã, a Bíblia Sagrada, Pais da Igreja, Reformadores, e tantos outros homens e mulheres que no passado foram instrumentos de Deus para a renovação da fé. Lembrando sempre que, renovação não é inovação, assim como Reforma não é destruição e nova construção, mas sim um resgate das raízes, dos fundamentos, das bases da fé. Resgate não do tradicionalismo que engessa a Igreja, mas sim o retorno a Tradição, a qual é a experiência, as pegadas daqueles homens e mulheres que seguiram o Caminho antes de nós. Como escreveu Jaroslav Pelikan, "Tradição é a fé viva dos que já morreram e tradicionalismo é a fé morta dos que ainda vivem"¹.
Nas páginas desse blog eu convido você a SEMANALMENTE conhecer um pouco da espiritualidade clássica, a qual, a meu ver, é uma resposta a pseudo teologia da prosperidade, a qual retirou Cristo do seu Trono e entronizou mamom, o arauto do "deus desse século" (2Coríntios 4.4) e “príncipe deste mundo” (João 12.31; 16.11). Devemos sempre retornar a Fonte Principal de nossa fé, a Bíblia Sagrada, o centro do Quadrilátero Wesleyano, e nela saciarmos nossa sede, atendendo o convite da Fonte de Água Viva, a qual declarou: "Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva. - Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna. Se alguém tem sede, venha a mim, e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre. O Espírito e a noiva dizem: "Vem! " E todo aquele que ouvir diga: "Vem! " Quem tiver sede, venha; e quem quiser, beba de graça da água da vida. - João 4:10, João 4:14, João 7:37,38 e Apocalipse 22:17"
Inicio esse "ad fontes" dessa semana com Imitação de Cristo², por Tomás de Kempis - Da prudência nas ações.
1. Não se há de dar crédito a toda palavra nem a qualquer impressão,mas cautelosa e naturalmente se deve, diante de Deus, ponderar as coisas. Mas, ai! Que mais facilmente acreditamos e dizemos dos outros o mal que o bem, tal é a nossa fraqueza. As almas perfeitas, porém, não crêem levianamente em qualquer coisa que se lhes conta, pois conhecem a fraqueza humana inclinada ao mal e fácil de pecar por palavras.
2. Grande sabedoria é não ser precipitado nas ações, nem aferrado obstinadamente à sua própria opinião; sabedoria é também não acreditar em tudo que nos dizem, nem comunicar logo a outros o que ouvimos ou suspeitamos. Toma conselho com um varão sábio e consciencioso, e procura antes ser instruído por outrem, melhor
que tu, que seguir teu próprio parecer. A vida virtuosa faz o homem sábio diante de Deus e entendido em muitas coisas. Quanto mais humilde for cada um em si e mais sujeito a Deus, tanto mais prudente será e calmo em tudo.
Irmão José do Carmo da Silva - mano Zé
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¹PELIKAN, Jaroslav. A Tradição cristã: uma história do desenvolvimento da doutrina o surgimento da tradição católica, 100-600 (volume 1). São Paulo, SP: Vida Nova, 2014, p. 32.
²A Imitação de Cristo - Apesar de a Imitação de Cristo ser uma obra católica e, portanto, conter doutrinas não abraçadas por nós protestantes, como por exemplo, a doutrina do purgatório, resolvi postar o mesmo, pelo fato deste ser um verdadeiro manual de espiritualidade. Aquele que é experimentado na Palavra de Deus está apto para analisar todas as coisas e reter o bem. - O livro pode ser usado por todos aqueles que estão dispostos a crescer no discipulado radical. Pode inclusive, ser usado, seguindo as divisões de capítulos, como leitura diária devocional.
A Imitação de Cristo, obra mais difundida da espiritualidade cristã depois da Bíblia, pode ser considerada um clássico da literatura cristã. Trata-se de uma coletânea de reflexões escritas em estilo simples, destinadas a alimentar a vida espiritual dos cristãos. Por se tratar de uma obra escrita, provavelmente, no início do século XV, espelha as características da espiritualidade da época: mais psicológica que intelectual ou moral; considera a humanidade de Jesus e o chama de amigo, a quem se dirige de forma coloquial. Fonte: Paulinas.
